Dor da alma

As vezes a dor é tão grande
Tão real

Que a gente sente no corpo

O coração aperta
A saudade grita

Que o estomago embrulha
e o nó na garganta
vira vômito


amor

O amor não é uma coisa a toa
e
O amor não dura pra sempre

Pode durar mais que nossas vidas
mas acaba, invariavelmente

A infinitude do amor não reside no tempo em que ele dura
O amor é infinito na profundidade em que se vive o sentimento

Ele acaba sim

Mas não pressupõe que não foi profundo em cada dia que existiu
Que foi no limite do que podia ser sentido
e além

É infinito e finito
em cada momento eternizado
mas com data para se findar

Porque o amor,
em sua infinitude
precisa ser vivido
e revivido
infinitas vezes

vida-morte-vida
que sigamos amando
sempre mais pessoas


Medo

E as coisas profundas da vida?
Aquela possibilidade de viver as histórias até o fim?
Não deixar o "e se..?" tomar forma

Qual é o medo de olhar o abismo das coisas?
Sentir tudo com todo o corpo e toda a alma.

Saber que tudo tem um fim,
Mas que podemos viver plenamente
mesmo as pequenas coisas
mesmo por um pequeno tempo

Passar de raspão pelas histórias da vida
é não vivê-las
não aprender e compreender o que poderia ter sido

Esse medo paralizante
que não permite que sintamos
tudo o que poderia ter sido

E não fui
porque fugimos.


Felicidade efêmera

Ah, a felicidade

de forma plena?

como, onde, quando?

Nos atemos a projetos de felicidade
Mas são efêmeros
Como as coisas que permeiam a vida

Tudo começa, cresce e morre

e nesses projetos, duram menos que deveriam
Não temos tempo de viver intensamente as coisas
E a saudade faz morada no buraco que essa felicidade deixa

E a gente vai
pelas esquinas e becos
procurando mais
como viciados
em busca de mais uma dose

Que começa e acaba cedo

E nessa felicidade momentânea
trilhamos um rumo tortuoso
um caminho sem fim
sem objetivo

Morremos um pouco a cada felicidade que se vai
e somos cada vez menos nós mesmos
perdidos em um labirinto

Nos agarrando as pequenas coisas
E falecendo ao lado delas


Ciclos

Deitada
O cobertor me abraça
As pernas e braços pra fora mostram que quero fugir
Não consigo
Não tenho forças

Reúno toda a minha coragem
Acendo um cigarro
Mal fumo
Apago ele pela metade em um espaço pequeno entre as outras guimbas

Olho em volta
O lençol caído no chão entre roupas sujas
Tento suspirar, mas o ar me falta

Tenho que levantar pra ir ao banheiro
Evito o espelho
Meu reflexo deve estar despedaçado

Sentada na privada
a calcinha abaixada
me faz sentir um lixo
Fico lá mais tempo que deveria, que queria

Tomo um banho
mas verto mais lágrimas que o próprio chuveiro
Busco em mim alguma vontade
As vezes eu acho
e tento enxê-la de carinho
para que cresça forte

Mas o som do despertador na manhã seguinte
a mata de forma cruel
e eu fico olhando seu sangue escorrendo
imóvel