A vida é um palco

A vida é um palco
Mas não uma peça de teatro
A vida é um monólogo

Quando a campainha toca
Quando a cortina se levanta
Quando o primeiro ato começa
Só há você no palco

E por mais que diversos personagens apareçam
Que fiquem muito tempo sob a luz ao seu lado
Ou que fiquem tão pouco tempo
Que seus nomes nem apareçam nos créditos

Invariavelmente
Todos deixarão o palco

E você estará lá sozinho
Quando as luzes se apagarem
E a cortina descer

A vida é solidão
É estar acompanhado
Mas saber que ninguém é para sempre

São estradas
Que por mais que as jornadas se cruzem
Que os caminhos se emparelhem por tempo o suficiente para chamarmos de Eras
Andamos sós


Madness

à noite tudo se transforma
se torna mais fluido
mais transparente

a noite permite
abraça
acolhe

a noite brilha negra
e nos entrega sua filha mais pura
a insanidade

Olhares

Completamente nua
Apenas a áspera vergonha está entre minha pele e seu olhar

Você me olha
Percebo que não me vê

Estou ali, me entrego
dispo-me de tudo e te encaro crua

Seus olhos buscam mais
Seus olhos não me buscam
Você não está ali

Somente eu
Carne
Alma

Buscando um querer tão pleno
Quanto a pureza da minha entrega

Buscando olhos que me vejam
Tanto quanto eu queira me mostrar para eles





Timeless

uma sensação d pertencimento
igualdade
tranquilidade

Um prazer penetrante
longo
que desfaz o tempo em volta

Queria
nesse momento,
que não existe,
que a distância não existisse também


Possibilidades

A dualidade que não se divide
entre isso ou aquilo
A dualidade que permite
ser isso e aquilo

A completude que não preenche
que não ocupa o vazio
A completude que vai além
permite

O tempo que não é contado
que não tem começo, meio e fim
O tempo que não existe
é infinito e eterno