Ciclos
Deitada
O cobertor me abraça
As pernas e braços pra fora mostram que
quero fugir
Não consigo
Não tenho forças
Reúno toda a minha coragem
Acendo um cigarro
Mal fumo
Apago ele pela metade em um espaço pequeno
entre as outras guimbas
Olho em volta
O lençol caído no chão entre roupas sujas
Tento suspirar, mas o ar me falta
Tenho que levantar pra ir ao banheiro
Evito o espelho
Meu reflexo deve estar despedaçado
Sentada na privada
a calcinha abaixada
me faz sentir um lixo
Fico lá mais tempo que deveria, que queria
Tomo um banho
mas verto mais lágrimas que o próprio
chuveiro
Busco em mim alguma vontade
As vezes eu acho
e tento enchê-la de carinho
para que cresça forte
Mas o som do despertador na manhã seguinte
a mata de forma cruel
e eu fico olhando seu sangue escorrendo
imóvel
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