O tempo corrói


O tempo corrói.

Aquele velho papel na gaveta não pode ser rasgado ou admirado porque ele já virou pó.

A dor não rasga mais a alma.

A felicidade é um fantasma que transcendeu.

O que éramos apodreceu, atraiu moscas e vermes, se decompôs e jaz morto atrás de um sofá desbotado.

As cicatrizes não coçam mais. Só desfiguram aquela pessoa dentro do espelho.

As lembranças, enferrujadas, perderam o brilho do momento e soltam poeira quando tocamos.

O tempo não cura, não é remédio.
Como um toque de midas decadente, o tempo desintegra tudo que toca.

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